Rede Cidadão
A freenet da Prefeitura do Recife
Boa tarde a todos. Antes de mais nada, agradeço
o convite, que me dá muita alegria, para falar aqui sobre a Internet.
Eu vou começar homenageando o professor Sérgio Trindade,
que fez sua brilhante palestra há pouco, antes do almoço.
Eu vou acrescentar mais um argumento ao uso de transparências para
falar de Internet. Ao argumento do professor de que faz as transparências
à mão pra mostrar que por trás disso tem sempre um
ser humano. O meu outro argumento é que essa tecnologia de datashows,
canhões de projeção etc. ainda não é
dominada e dá muito problema. Além disso, a qualidade de
projeção ainda não permite que um auditório
desse tamanho fique com as luzes acesas. E acho que o assunto que nós
vamos tratar aqui é um assunto de reatamento de conversações.
Para isso, é preciso estarmos nos vendo olho no olho.
O que eu vou projetar nas transparências é
uma mera ilustração da conversa que defendo seja necessária
termos sobre esse fenômeno da Internet. Então, para falar
da Rede Cidadão, que é uma experiência na Internet
da Prefeitura de Recife, eu vou antes falar de alguns aspectos desse fenômeno
que acho relevante serem tomados em conta aqui, para poder entender o que
estamos fazendo lá em Recife.
Uma pergunta, antes de mais nada. Quantos de nós
já navegamos na Internet, usando correio eletrônico etc? Já
somos a maioria, não é? Isso é bom, principalmente
nessa nossa área de informação. Mas tem uns 40%, 30%,
que não navegam ainda, pelo que vejo. Então eu vou evitar,
em respeito a eles, aqueles termos com os quais nós internautas
já estamos nos acostumando. Mas vou naturalmente "cair em tentação".
(Transparência
da revista LIFE) Quem está aí? Quem vocês vêem?
Marilyn Monroe? Sim, é ela. Eu queria começar com uma metáfora,
porque este fenômeno da Intenet só pode se entendido através
de metáforas. Pela velocidade com que invade os nossos trabalhos,
os nossos lares, a nossa vida. E a metáfora é a seguinte:
vocês conhecem quem trabalha com isso, o Nicholas Negroponte, do
MIT, que tem aquela historinha da economia dos bytes versus economia dos
átomos? Pois esta é mais uma metáfora do MIT, é
um software, que chama PhotoMosaic, que faz a conjunção de
pequenos objetos para compor outros. Esta é a capa da Life de outubro,
que comemora 60 anos. A foto famosa de Marilyn Monroe dos anos 50 foi composta
a partir de duas mil capas da Revista Life, sem alterar absolutamente nada
nessas capas! 0 que faz o software é buscar texturas, cores, sombras,
formas que componham, ao fim e ao cabo, uma outra figura. É uma
brincadeira dos bytes, no cyberspace, com os átomos. As capas de
revistas são dadas, historicamente, há 60 anos. E compuseram,
na brincadeirinha dos bytes, uma outra personalidade, ou recompuseram,
ou trouxeram de volta Marilyn Moroe.
(Transparência da Business Week - Software Revolution) O que
quero dizer é que o fenômeno Internet tem a ver com o que
uma revista respeitada pelos investidores americanos está chamando
"Software Revolution". É uma revolução
do software, isso é a Bussiness Week quem diz, não é
uma revista de informática. Ela orienta investidores americanos.
É uma revolução e no seu bojo tem uma tal de WEB,
um dos 3 Ws daquele WWW para os 40% deste auditório que não
"navegam" ainda, que muda tudo. A revista diz: senhores investidores,
algo acontece. É preciso ver o que acontece, buscar onde investir.
Esta WEB que muda tudo é um fenômeno de três anos. E
quem navega há algum tempo sabe que três anos são uma
eternidade neste meio, que há três anos atrás nós
não tínhamos multimídia na Internet. Nós tínhamos
caracteres ASCII puros, isto é, nem acentuação para
nós brasileiros tinham.
Três anos atrás houve uma revolução
no software que fez explodir a Internet como um meio editorial, como nova
mídia, e esta é a ênfase que eu gostaria de dar neste
foro -- como nova mídia. 0 que está acontecendo é
que está aparecendo uma nova mídia . Igual foi a televisão
depois do rádio, que veio depois da imprensa. É uma mídia
que tem características próprias, que exige adaptações
radicais dos profissionais, que somos nós, que trabalhamos principalmente
com informações.Uma nova mídia que, para se ter uma
idéia do que ela significa, tem um lugar em que se publicam informações,
em que se fazem buscas por palavra, que fica na Califórnia, a maioria
de vocês sabe, que é o AltaVista, da Digital, onde existe
um computado que é acessado 20 milhões de vezes por dia!
Nós conhecemos esse negócio de memória de computador,
memória RAM, não é? Este computador aqui tem 8, 16
megas de memória RAM. O computador da Digital tem 8 gigabytes de
memória RAM, e está à disposição de
cada um de nós que, conectando em um ponto de linha telefônica
e tendo acesso à Internet, poderá acioná-lo para fazer
busca em toda a Internet. Em 30 milhões de sites que publicam informação
na Internet. E nunca esse computador dá uma resposta. com mais de
10 segundos de demora!
(Transparência
da Business Week - Telecom) O AltaVista está do outro lado do
mundo, nos EUA, mas está aqui. É um fenômeno que acompanha
a Internet. A Internet é aqui. Não é em outro
lugar. Tem problema com a infra-estrutura de comunicação?
Tem. Mas é aqui. E nesse ponto. Aquele computador da Digital está
aqui, nesta máquina. Este fenômeno tem a ver com outro, que
é o das telecomunicações, que nos EUA já forçou
a desregulamentação, permitindo a criação de
um conglomerado econômico de 1 trilhão de dólares/ano.
Onde estão em jogo os lucros das empresas de telefonia, transmissão
de dados, a indústria do entretenimento e da televisão a
cabo que, com a desregulamentação, podem estar fundidas em
um negócio só, de 1 trilhão de dólares por
ano. Forjado pela evolução tecnológica, pela transformação
ocorrida na indústria do software, do hardware, da informática.
A conjunção das telecomunicações,
com informações e computadores -- o TIC a que se referiu
o professor Trindade -- é uma combinação poderosa
da qual nós devemos nos dar conta, sob pena de sermos atropelados
por um fenômeno do qual eu quero enfatizar ainda duas características
importantes: a velocidade com que ocorre e o fato de que não
respeita fronteiras. A velocidade com que está acontecendo este
fenômeno de transformação tecnológica, que leva
a uma mudança de paradigma técnico-econômico, que muda
a maneria de fazer negócios das sociedades.
A velocidade com que está ocorrendo e o fato de
não respeitar as fronteiras -- isso deve nos preocupar. Às
nossas empresas, aos nossos governos, à nossa vida, enfim. Tenho
dúvidas se somos capazes, nas nossas organizações
-- eu lá na minha Prefeitura no Recife e vocês em cada uma
das organizações de vocês -- de acompanhar o que está
acontecendo. Imaginem que temos nós a responsabilidade de definir
políticas, de uma maneira geral, para o resto da sociedade. Tenho
dúvida se somos capazes de acompanhar o que está acontecendo.
Com a inércia institucional que temos, com as dificuldades materiais
que temos. Mais ainda: com o problema cultural de abertura para esse fenômeno,
como observadores dessa realidade que somos.
(Transparência sobre as exigências de uma
nova institucionalidade para o poder local; para mais informações,
visite http://www.recife.softex.br/cmarinho)
É, portanto, com as seguintes diretrizes ou princípios básicos,
que nós enfrentamos lá no Recife essa questão da Internet.
Primeiro, que existe uma cidade global nesse contexto, exigindo
uma nova institucionalidade para o poder local. Exige, principalmente,
essa economia global, que o poder competitivo da indústria, dos
serviços etc. se dê através da capacidade de agregar
valores locais diferenciados. Não é homogeneização.
Não é a integração ao comércio internacional,
tal e qual, que nos torna competitivos. É a nossa capacidade de
agregar valores locais diferenciados. Segundo, que nessa economia de redes
de produção, alianças estratégicas acontecem
através de projetos transfronteiras, que não respeitam fronteiras,
em que os Estados nacionais têm importância relativa. Nesse
contexto, pode ser muito mais forte a aliança cidade-cidade, empresa-empresa
região-região.
Vejam o caso de regiões que buscam investimentos
estatais ou privados, como o Nordeste, historicamente. Alguns não
vão me entender se eu disser que hoje talvez seja mais importante
ir buscar os departamentos de design de empresas como a Benneton e localizá-los
lá no Recife -- do que uma refinaria, por exemplo. A divisão,
a fragmentação da indústria em unidades de produção,
nessas redes de produção, pode exigir que tenhamos uma disputa
por localização de departamentos, de unidades que tenham
maior valor agregado dessas indústrias, do que a indústria
em si mesma. A cidade que não se der conta disso, vai estar em desvantagem
nessa economia.
Os governos locais, portanto, não podem deixar
de tratar a questão econômica da base produtiva urbana.
O Prefeito tem que cuidar de transporte, periferia, educação,
saúde. O Prefeito tem que cuidar disso sim, mas tem que cuidar da
base econômica, nesse contexto de cidade global. E depois, eles podem
representar -- essas Prefeituras, o poder local, o poder local governamental
e não governamental, privado ou público -- podem representar
um elemento calisador fundamental, nesse ambiente de negócios
em redes.
(Transparência
do WebMarket; para mais informações, visite http://www.civicnet.org/webmarket/info.html)
Com esses princípios, e com exemplos de uso da Internet que passo
a apresentar para dar maior amplitude ao que estou falando, é que
nós vamos mostrar o caso da Rede Cidadão. Este primeiro exemplo
foi apresentado em uma conferência que houve em Montreal agora em
julho, da Internet Socety -- aliás, entidade que só vejo
paralelo com a FIFA e com a ONU. Ela reunia nesse encontro 3 mil pessoas
de 150 países. Com um único objetivo, pode parecer presunçoso:
"vamos levar a Internet para lugares onde o homem ainda não
foi". Mas acho mesmo é que tem muito romantismo, tem grande
força emocional na proposta -- o que é fundamental para atingir
objetivos. Esse WebMarket é um mercado púbico na Internet.
Em Ohio, nos EUA, uma sociedade não-governamental e a comunidade
de pequenos produtores montaram um web site em que vendem especiarias alimentares
na Intemet.
Esse exemplo é para fazer o contraponto das oportunidades
que traz a Internet para lugares como o Recife, como Santa Cruz do Capibaribe,
uma cidade que quase ninguém conhece, mas é uma cidadezinha
lá no interior de Pernambuco, que tem um valor agregado local diferenciado
para as suas confecções. Faz confecções a partir
de sulanca, que são as sobras, os rejeitos da indústria têxtil.
Compõem roupas, peças, a partir desses restos de material
e têm uma economia extremamente competitiva, de base local. Tinha,
até a chegada da "seda" chinesa, que trouxe o preço
para baixo. Uso o exemplo como contraponto a esse daqui do WebMarket, para
levantar questões do tipo: será que a intervenção
nesse caso não é ampliar o mercado, usando a Internet para
isso, para esses produtos da sulanca? Eu acho que é, eu acho que
tem que procurar isso daí. Uma outra experiência vem do Canadá,
que tem mais a ver com o governo -- o outro exemplo tem a ver com a iniciativa
privada. É a experiência do governo canadense, que tem um
projeto para conectar à Internet, até 1999, todas as associações
comunitárias, rurais e urbanas, todas as escolas. E já estão
bastante adiantados nisso. Com o entendimento de que é preciso massificar
a alfabetização digital, sem fronteiras (para mais informações,
ver http://cnet.unb.ca/cap/).
Um outro fenômeno do qual também preciso
falar: a Intranet. Ganhou as capas de revista nos últimos
6 meses. A Intranet é o rebatimento para dentro da empresa da tecnologia
Internet. É o que alguns poderiam chamar de "ovo de Colombo".
E a revista Exame definiu claramente como uma oportunidade. "A tecnologia
da Internet foi para dentro das empresas. Resultado: surge uma nova e poderosissíma
ferramenfa de gestão". Trago a questão da Intranet,
porque, com esta nova mídiaidia, a publicação de informações
dentro das nossas empresas vai mudar radicalmente. Os departamentos de
recursos humanos, que cuidam da comunicação interna das nossas
empresas, que não estiverem atentos a este fenômeno Intranet,
vão estar desajustados à realidade empresarial e organizacional.
A forma como vão circular as informações, nos próximos
anos, dentro as empresas, vai mudar radicalmente com o impacto da tecnologia
Internet. Não é só para fora da empresa, da organização,
é para dentro. E é simples, é um ovo de Colombo. A
tecnologia se expandiu tão velozmente, de forma tão avassaladora
em todo mundo, que as empresas descobriram que rebatê-la para dentro,
internalizá-la, integrá-la aos processos corporativos, era
o caminho mais curto, não só para dar conta do fenômeno,
estar junto dele, junto da onda de inovação da Internet,
mas principalmente incorporar tecnologias de baixo custo aos seus processos
produtivos. Isso é Intranet. Isso vai impactar todas as nossas organizações.
(Transparência da PointCast; para mais informações,
visite http://www.pointcast.com)
O que é a Internet, em termos de mídia? É um fenômeno
que, naquela mania de americano de criar nomes com "ware" no
fim, eles já criaram um "nominho", pode ser chamado contentware,
e neste seminário mais uma vez peço a atenção
de vocês. Conteúdo, a produção de conteúdo
na Internet é outra história. Duas características
principais: 1) é dinâmica, é atualizada em tempo real:
2) outra, que eu acho fundamental, é personalizada. Personalizada
a ponto de ter um produto, que acho que é um bom exemplo dessa tendência,
que é este aí, chama-se PointCast. Esta empresinha teve a
seguinte idéia: todos nós sabemos que, quando o nosso computador
está ocioso, entra um poupador de telas. As janelinhas do Windows,
que vão invadindo a nossa sala em um merchandising contínuo.
Esse cidadão teve a idéia de substituir esse mecanismo de
auto-instalação, a janelinha do Windows, por esse produto,
numa rede local das empresas. Só que é um produto vivo, inteligente,
personalizado. O que ele faz? Distribuído de graça, o software
você pega pela Internet, e você customiza, você personaliza
a interface e vai buscar as informações que são do
seu interesse. Tem os botões: indústria, notícias,
condições do tempo etc. Você personaliza. Cláudio
Marinho tem um perfil tal, o servidor deles tem o meu perfil, e a cada
momento (que você define quando), ele conecta na Internet para buscar
as informações que são do meu interesse. Ele conecta
na máquina da PointCast, vai buscar a informação,
e de tempos em tempos, igual à janelinha do Windows, ele joga na
sua tela ociosa. Isso aí é informação personalizada
em tempo real, inteligente, customizada para você. Imagine as empresas
com as redes locais, o que vai acontecer, rede local, computador ligado
à Internet, e você passa a emitir os seus boletins, seus informativos,
através de softwares como esses. Isso já acontece hoje. É
um dos produtos de maior sucesso na Internet recentemente.
(Transparência com uma página de curso
na Internet; ver http://www.gartner.com/training/lcinfo.html)
Uma outra área, a área de cursos.
Este é um curso de Lotus Notes, que é dado pela Internet.
Os departamentos de recursos humanos vão adaptar seus cursos para
a Intranet, de forma bastante fácil, pois a maior parte deles já
estão em algum editor de texto. Há vários conversores
para a linguagem de HTML, que é a linguagem da web. Convertê-los
para a Internet, para edição no web site, vai ser fácil,
e cada vez mais fácil, e você vai poder ter na rede da empresa
os seus cursos, o seu portfólio de cursos, disponível, para
todos os empregados. Este aqui está disponível na Internet,
no GartnerGroup. Você entre com a senha lá e vai buscar o
curso, e vai fazendo no seu ritmo. Tem uma experiência extremamente
interessante, na Universidade de Monterrey, no México, em que 4.500
professores estão sendo reciclados na tecnologia de aprender a aprender
para poder ensinar, durante um ano, usando ferramentas desse tipo.
Um jornal sobre Intranets chama atencão para duas
coisas. Uma, que conferências sobre Internet na área de recursos
humanos já estão acordando para esse fato, sobre o uso da
Intranet. E dá também a informação que 2/3
de um conjunto de empresas americanas pesquisadas recentemente vão
fazer a Intranet ainda esse ano -- e não há distinção
entre tamanhos de empresas, tipos etc. Não é uma questão
para as grandes empresas, é para todas.
É nesse contexto que precisamos entender qual é
o esforço que estamos fazendo lá em Recife. A Rede Cidadão
(http://www.emprel.gov.br) é
uma freenet, uma rede de acesso público gratuito à Internet.
Tem a ver com o fenômeno da democratização da informação,
que é típico da Internet. Democratização da
informação, mas ao mesmo tempo, tem a ver com aquelas potencialidades
locais a que me referi, que nós consideramos que é possível
relevar numa mídia como essa.
Ela começou em ascii, em 93. Em 1993, lançamos
o primeiro gopher de uma prefeitura na América Latina. Quem é
internauta conhece o gopher, que é um gerenciador de bases de dados
distribuídas em caracteres ascii, você entra por menu. E caminhando
no menu, entrava nas bases de dados da Prefeitura do Recife. Depois, em
agosto de 1995, com a chegada do backbone a 64 kbps da RNP ao Recife, e
logo depois com a ligação a 2 megabits, nós passamos
para a versão multimídia.
(Transparência
com o menu principal da Rede Cidadão) A Rede Cidadão
tem muitas fotografias do Recife. Tem, ainda, o nosso "Coquinho Alto
Astral", símbolo do Recife, que dança frevo -- é
um "gif animado". Para quem não navega, saiba que cada
uma das palavras sublinhadas é um hiperlink, se você clica
com o mouse vai buscar alguma coisa em algum lugar da Internet. Então,
aqui na Rede Cidadão, você tem os serviços da Prefeitura
do Recife, tem as home pages do nossos parceiros (eu vou falar mais sobre
isso). E tem um passeio virtual da cidade, além de dicas para outros
links na Internet.
Essa Rede tem uma estatística de uso que, nas vezes
em que eu olho, me dá calafrios. Porque ela está crescendo,
em termos de acesso, geometricamente Nós começamos de fato
em agosto de 1995, na fase multimídia. E o número de acessos
vem subindo em patamares. Em agosto deste ano nós tínhamos
tido 137 mil hittings (acessos a arquivos, textos ou imagens) mensais.
Não comparem com aqueles 20 milhões por dia do AltaVista.
Aí não da para comparar. Mas, em termos brasileiros, é
extremamente elevado. Vocês que conhecem a Internet brasileira sabem
o que é isso. 40% desses acessos são acessos internacionais,
60% de endereços brasileiros. Já fo invertido, no começo.
Com o crescimento da Internet brasileira, a proporção está
virando Isso nos preocupa, essa é uma máquina muito frágil.
Mas isso não deve assombrar ninguém. Espero
que todos vocês coloquem alguma coisa na Internet, essa é
"netiqueta". Se você tem acesso, tem que colocar alguma
coisa à disposição. É bidirecional. Eu acho
que isso é que é maravilhoso. Se você entra, tem direito
a acessar tudo, mas tem que contribuir com alguma coisa. Aqueles que vão
instalar, nas suas instituições, uma maquininha servidora
de informações para a Internet, lembrem-se, na hora que colocar
no ar: ela não pertence mais à sua empresa, pertence ao
mundo. Naquele momento, começam a ser conectar nela máquinas
que, quando alguém a retira da rede, vão sentir a sua falta.
Esse é um organismo que cresce assim, em rede. Essa máquina
da Rede Cidadão tem 250 links (maquinas com apontadores) para ela.
Alguém que entra em um computador lá na Califórnia,
olha lá o Recife, clica ali, vem bater na nossa maquininha. Então
ela não me pertence mais. E cresce o número de acessos assustadoramente.
Você vai ter que fazer upgrade sempre na sua máquina. Vai
ter que melhorar sempre a sua capacidade. Agora, esse é um compromisso
extremamente saudável. Esse compromisso, principalmente na área
de informação, e acho que nenhum de vocês vai discordar,
esse compromisso de contribuir com a grande "biblioteca de Alexandria"
que é essa tal de Internet.
(Transparência
do menu de serviços da Prefeitura) Agora vamos ver os serviços
da Prefeitura na Rede Cidadão. Nós temos uma agenda cultural
da Fundação de Cultura, todo mês atualizada. Quem quiser
ir a Recife, e quiser saber o que vai acontecer lá agora, clica
aqui. Informações sócio-econômicas da cidade,
por setores. Tem o programa do orçamento participativo, investimentos
da Prefeitura na periferia, está tudo na Internet. Temos uma pesquisa
de preços de supermercado, que já fazemos há três
anos. Você pode acompanhar os preços dos produtos por aqui.
Indicadores urbanos, da Secretaria de Planejamento. Tem uma "Balcão
do Cidadão", onde vários serviços estão
sendo agrupados para facilitar o acesso à Prefeitura. A idéia
é ter computadores em pontos de acesso público da cidade
conectados à rede, daí o nome "Balcão de Cidadão".
A Rede Cidadão permite acesso acesso público
gratuito, por linha discada. É a primeira Prefeitura do Brasil que
deu acesso à Internet, gratuito. Com a chegada dos provedores comerciais,
nós nos retiramos, até para não fazer concorrência.
As linhas são muito limitadas hoje. Agora, a prioridade é
a institucionalização do processo administrativo, da relação
administrativa do cidadão com a Prefeitura, pela Internet. E o primeiro
passo é o serviço "Prefeitura em Casa". Você
tem acesso a informações turísticas, à agenda
cultural etc., mas esse é o primeiro passo para permitir, aí
sim, facilidades ao cidadão em termos de relacionamento com a Prefeitura
à distância. Você pode abrir de casa pela Internet,
hoje, processos do seu interesse, principalmente aqueles que não
exigem xerox, certificados, pagamentos no banco, mas abrir processos mais
simples você já faz hoje a partir de casa. E acompanha os
processos. Isso é a "Prefeitura em Casa". Durante as eleições,
nós tivemos um serviço que foi muito bem visitado, com mais
de 30.000 hittings, que foi o "Palanque Virtual". Nós
abrimos a Rede Cidadão para todos as candidatos a Prefeito e Vereadores
da cidade que quiseram colocar suas home pages, e abrimos uma Iista de
discussão, para todos os cidadãos que se interessassem em
discutir o que estava ali. Isso é o que a gente chamou de "palanque
virtual".
(Transparência com o menu de home pages dos parceiros
da Rede Cidadão) Uma coisa que fez crescer, que atraiu o interesse
para a Rede Cidadão, desde o seu primeiro momento, foram as parcerias
com grupos da sociedade local que quisessem fazer alguma coisa não
comercial na Internet. Aqui eu tenho o exemplo de alguns. Listas de discussão.Nós
temos várias, organizadas lá na cidade por quem queira, sobre
diversos assuntos. Os jornais pernambucanos. Nós temos o orgulho
de ser a incubadora (a Rede Cidadão) dos dois jornais locais. Antes
de partirem para os seus sites comerciais, o jornal "Diário
de Pernambuco" e o "Jornal do Comércio", passaram
por aí primeiro. Um outro serviço muito interessante foi
o do pessoal da movimento dos Mangue Boys. Eles montaram uma home page
muito bem visitada. Chico Science, para quem gosta da música de
lá. O "Mangue Bit" é uma home page de divulgação
da música deles. Com essas parcerias a gente atraiu muito a atenção
para o serviço.
(Transparência
com fotos do Recife antigo). Outro muito visitado na Rede Cidadão
é esse pedacinho aqui, dos passeios virtuais pela cidade.
Há coisas maravilhosas aqui, em termos de fotografias do Recife.
Particularmente deste bairro do Recife. Esse é um postal do século
passado, para quem não conhece o Recife, é o porto da cidade.Tem
imagens do carnaval, tem um belo trabalho de um professor sobre o Recife
holandês. Tem vários serviços como esses.
(Transparência com diagrama de infra-estrutura
de comunicações) Agora vou mostrar um pouco da nossa
infra-estrutura de telecomunicações, nao vou entrar nos detalhes,
mas chamar atenção para uma coisa fundamental. Desde o primeiro
momento, a Prefeitura, junto com a tele local (a Telpe), o Governo do Estado
e a universidade, tem trabalhado em função de se criar uma
malha metropolitana de comunicação de dados em alta velocidade.
Neste fim de ano, finalmente, nós estamos concretizando a conexão
entre a Prefeitura e a Emprel, que é a empresa municipal de informática.
E agora vou chamar a atenção para a nossa
rede escolar. Trinta e cinco das escolas já tem computadores conectados
(ou sendo conectados) à Internet. E a Secretaria de Educação
tem um centro de treinamento com 20 computadores ligados à Internet
por uma linha dedicada, onde o Secretário está dando treinamento
básico a 700 professores da rede municipal na uso da Internet. A
idéia é massificar entre os professores primeiro. A experiência
com os alunos, se não muda a cabeça dos professores em relação
a potencialidades disso, se não se criam as condições,
eu tenho um entendimento de que não vai avançar muito.
(Transparência da revista Veja com matéria
sobre brasileiros no exterior - "Saudade On-line") Eu gostaria
de terminar falando um pouco de poesia, porque acho que este movimento
todo da Internet sem poesia não dá. Tem 1 milhão e
800 mil brasileiros pelo resto do mundo. Pelo menos 400 mil devem usar
hoje, a Internet. Proporcionalmente, é muito mais do que no Brasil.
Estes cidadãos estão fazendo muito pelo nosso país,
muito mais do que a maioria dos nossos embaixadores. Muitos deveriam ser
embaixadores honorários. Eu pelo menos indico um, que é o
Sérgio Koreisha. do Oregon, EUA, que tem um site chamado "Meu
Brasil", que tem duas bandeiras brasileiras logo de cara. Um site
todo em inglês e talvez seja a melhor fonte de informação
sobre a minha cidade, e eu digo isso embora participe dessa iniciativa,
de que gosto muito, que é a Rede Cidadão. Este cidadão
faz isso por amor ao Brasil. Dezenas. centenas deles fazem isso. Não
sei se é o caso de entrar o governo e tentar organizar, talvez complique.
O que eles fazem pelo Brasil hoje, que é montar aquelas redes transfronteiras,
que permitem gerar negócios, que permitem estabelecer conversações,
redes de comunicação, merece um destaque especial. É
isso que faço aqui agora. Acho que tem um potencial enorme, de qualquer
ponto de vista que você aborde. Ponto de vista da constituição
da nossa cidadania, ponto de vista econômico, ponto de vista da democratização.
Mas o que me interessa mesmo é ousar e dizer para
aqueles que tinham e têm alguma esperança, que ainda constróem
utopias com relação ao que em outros tempos se chamava a
internacional de vários tipos, a internacional socialista entre
elas. A minha ousadia é dizer que essa Internet parece com aquela
internacianal socialista que não se conseguiu fazer. Essa Internet
é uma sociedade civil global em formação. Eu
estou citando o coordenador da conferência 1997 da "Internet
Society", que no próximo ano vai ser na Malásia. E acho
que é extremamente procedente o que ele disse. Está em criação,
em formação, em construção, uma sociedade civil
global de grandes perspectivas que se apóia na Internet.
Obrigado.
(*)Cláudio Marinho é engenheiro civil,
especialista em planejamento urbano e em sistemas de informação
para o planejamento. Trabalha como Diretor Adjunto da Empresa Municipal
de Informática/Emprel, da Prefeitura do Recife, onde coordena os
trabalhos da "Rede Cidadão", a freenet da Prefeitura.
É também Diretor Adjunto do SoftexRecife, núcleo recifense
do Softex2000, programa nacional de apoio ao desenvolvimento de software
para exportação, onde se responsabiliza pela estratégia
de negócios do núcleo na Internet. Sua pesquisa de doutorado
em Economia (Unicamp, SP) refere-se ao ambiente político-institucional
para política industrial em regiões periféricas e
enfatiza a organização industrial de redes de produção.
Esta palestra foi feita no dia 14 de outubro de 1996, em Brasília,
no seminário "O Profissional da Informação, as
Novas Tecnologias e o Futuro", promovido pelo MCT/CNPq/IBICT em parceria
com o SEBRAE. A transcrição das fitas gravadas foi feita
pelo IBICT e revista pelo autor (quanto à forma; o conteúdo
foi integralmente mantido, acrescentando-se apenas as ilustrações
e os links de referência). O paper pode ser lido também em
http://www.recife.softex.br/cmarinho/.
Cláudio pode ser contactado através do email cmarinho@recife.softex.br
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