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Cláudio Marinho
(cmarinho@
recife.softex.br)
|
Conselho de Desenvolvimento Urbano - CDU
Câmara Setorial de Desenvolvimento
Econômico - CDE
PLANO DE MARKETING PARA O RECIFE
(Este documento resulta de uma proposição de Cláudio
Marinho
à CDE. A proposta original foi discutida e substancialmente mantida
pelos membros da Câmara. Esta versão incorpora as contribuições
dos participantes do governo e da sociedade civil na Câmara e
foi
encaminhada para discussão no CDU em 29/07/96.)
MOTIVAÇÃO
-
No mundo da economia global, o poder competitivo da indústria
e dos serviços está na sua capacidade de agregar valores
locais diferenciados aos produtos.
-
Existe uma transformação radical da economia em função
das mudanças tecnológicas; a globalização dos
mercados faz da China o principal concorrente da sulanca de Santa Cruz
do Capibaribe; a diferenciação dos produtos da sulanca, agregando
valor da cultura nordestina para buscar nichos de mercado externo, é
uma das formas de enfrentar o problema.
-
Numa economia global em redes de produção,
as alianças estratégicas se dão através
de projetos transfronteiras, em que os Estados nacionais têm
importância relativa, podendo ser mais fortes as alianças
cidade-a-cidade, empresa-a-empresa, região-a-região.
-
Os governos locais, neste contexto, primeiro,
não podem deixar de tratar a questão econômica da base
produtiva urbana, e, segundo, podem representar o elemento catalisador
fundamental para a localização de novos negócios (vide
Curitiba).
-
No caso das cidades estão surgindo movimentos importantes de
articulação em redes de interesses comuns exemplo
mais tradicionais dessas redes são os conhecidos programas de Cidades
Irmãs, com característica mais culturais, acadêmicas
e humanitárias; mais recentemente, se dissemina a prática
de associação de interesses municipais em torno de empreendimentos
econômicos no "mercado de cidades" em que os diversos
municípios competem e se aliam entre si para atrair investimentos
produtivos, tem mais vantagens quem "vende" melhor os seus atributos
diferenciais.
PROPOSIÇÃO
A Prefeitura da Cidade do Recife deve liderar a elaboração,
em conjunto com a sociedade organizada, através do CDU/CDE, de um
plano de marketing para o Recife, visando vender a cidade
como opção para os investimentos e para o mercado consumidor
mundial de produtos e serviços;
Os elementos constitutivos de um plano desta natureza
devem incluir, pelo menos:
-
Uma elaboração precisa de estratégia
de atração de fluxos turísticos para a cidade,
ressaltando principalmente os aspectos naturais e culturais da região
metropolitana do Recife.
-
Recife, nesses 3 anos e meio de governo conseguiu alguns resultados
no sentido de vender sua imagem lá fora. Recife começou a
recuperar sua imagem ( litoral, clima, festas)
-
Agora, para "vender" a cidade para o turismo de maior valor
agregado, é importante definir roteiros turísticos diferenciados.
O produto mais claro e mais visível que a cidade tem é o
seu litoral, o seu clima, o seu mar temperado o ano inteiro e também
as suas tradições culturais e folclóricas - festas,
animação na cidade. O roteiro poderia ser entendido como
um tracking cultural urbano. Aqui no Recife, seria
o caso de investir em roteiros que valorizem a nossa história
e cultura popular. É o caso de mostra, por exemplo, o artista
no lugar da criação - incluir no roteiro a casa do artista,
seu bairro. Isto é um investimento da iniciativa privada, dos governos,
mas tem de ser profissionalmente competente. Tem-se, hoje, turistas muito
mais sofisticados, que têm opções lá fora também
cada vez mais sofisticadas. E vão ficando por lá.
-
É preciso, por outro lado, que se faça um trabalho no
sentido de estruturar os pólos de interesse turístico,
como o Bairro do Recife - que é irreversível - e o Polo Pina,
que já causou uma transformação na zona sul. Hoje,
o Polo Pina já começa a ser uma alternativa; a própria
concorrência que se estabelece lá dentro vai fazendo com que
os estabelecimentos melhorem e passem a ser uma opção de
gastronomia regional e de animação.
-
Pode-se estudar, por exemplo, a viabilidade de uma marina,para
o Recife, que atrai um fluxo turístico imenso no mundo inteiro.
Tem milhares de pessoas que vivem no mar, em um barco, circulando, parando
de marina em marina.
-
as condições históricas de pólo
universitário nordestino, o que nos diferencia como opção
privilegiada para a localização de empreendimentos do terciário
moderno (informática, serviços de consultoria, serviços
médicos, etc);
-
O Recife tem empreendimentos do terciário moderno que vão
da informática aos serviços de consultoria e serviços
médicos especializados; a cidade é o terceiro maior polo
de tecnologia médica do Brasil. Na área de
oftalmologia, concorre com São Paulo e Belo-Horizonte.
-
No Plano de Marketing, esses serviços especializados seriam
elementos enfatizados, principalmente na sua associação direta
com a nossa qualificação universitária.
Na área da física, informática, química, tem-se
alguns potenciais como focos de dinamização abertos para
nossa capacidade produtiva, produzindo mão de obra de alta qualificação
- fator primordial para a localização da nova indústria
e serviços modernos. No caso da informática, o dinamismo
e a capacidade do Recife é bem maior que Fortaleza e Salvador..
-
Devemos então:
-
Procurar esses elementos que são mais profundos e capitalizar
a sua contribuição para a nossa diferenciação
regional;
-
Identificar os setores potenciais de modernização
tecnológica e encontrar as pessoas competentes
para demonstrar isso, principalmente para as empresas que procuram alternativas
de investimento;
-
Demonstrar que se tem mão de obra especializada e que
o plano para essas empresas a médio e longo prazo tem sustentação.
-
Apoiar idéias novas, fazer florescer negócios
inovadores
-
as condições diferenciadas de infra-estrutura
de telecomunicações, o que permite a localização
de negócios que se utilizam prioritariamente das redes de produção
globais;
-
Na área da infra-estrutura de telecomunicações
- a condição básica que está para o desenvolvimento
dos novos negócios, exercendo hoje o papel dinamizador das ferrovias
e rodovias de outros tempos - o Recife tem três elementos pouco conhecidos
que nos diferenciam, e que ficam encobertos pela crise conjuntural de oferta
de terminais telefônicos: a) as nossas centrais telefônicas
são todas interligadas por fibra ótica; o que possibilita
fazer uso das redes urbanas de computadores em que se baseiam as indústrias
e serviços da tecnologia da informação; são
poucas as cidades que ja têm isso. b) temos uma tradição
na área de telecomunicação e informática que
vem das universidades, das empresas, que permite que se dê consequência
produtiva às inovações, tanto a nível
da empresa como a nível do setor público; c) com a chegada
de um cabo submarinho de fibra ótica no mês de novembro deste
ano de 1996 à praia de Boa Viagem, torna-se factível a imediata
interconexão, a altas velocidades de transmissão de dados,
da rede urbana do Recife às redes mundiais de computadores (principalmente
à Internet, a rede das redes mundiais por onde deve trafegar grande
parte do comércio eletrônico do próximo século;
a EMPREL junto com a universidade e a TELPE vem se articulanda já
há 2 anos visando preparar a cidade para tirar proveito deste momento.
-
Com base nessas qualificações, o Recife pode criar o
ambiente para atrair os departamentos das indústrias que cuida do
design das novas linhas de produção globais; Recife
tem bons designers, produz-se a melhor arte. Pode-se produzir no computador
e mandar direto para a linha de montagem em qualquer país do mundo.
Nessas circunstâncias de ter uma infra-estrutura de telecomunicações,
a disputa entre as cidades vai ser a de pegar a melhor parte da indústria
globalizada, aquela que agrega mais valor;
-
Recife tem de se qualificar para atrair uma das melhores partes dessas
indústrias. É uma estratégia difícil. Não
pode estar na agenda do dia a dia, e sim numa agenda estratégica
da administração pública, que tem que abrir espaço
para que isto aconteça.
-
os casos de sucesso de indústria e serviços
da "terceira onda", enfatizando, por exemplo, os casos de exportação
de software, entre outros;
-
No Recife, existem vários casos de sucesso
de empresas inovadoras, competitivas ao nível internacional, mesmo
sabendo-se da predominância de uma cultura empresarial tradicional,
conservadora, ligada à usina do açúcar;
-
É preciso investigar cada uma das áreas em que temos
potencial, para descobrir os casos de sucesso. A Prefeitura pode dar suporte
profissional à pesquisa, agregando ainda um suporte de marketing
e publicidade para divulgar esses casos, que são ainda bastante
desconhecidos.. É necessário dar publicidade, de forma educativa,
para que outras áreas possam se desenvolver usando todo seu potencial.
Na área de software tem casos, como deve existir em várias
outras áreas. Um pianista que passou anos fazendo sucesso em outros
países, um estilista, etc. É preciso tomar estes casos exemplares
e trabalhar para verificar as razões do sucesso, dar visibilidade
a isso, ver porque eles se destacaram do ambiente em que vivem. De que
elementos lançaram mão para se diferenciar, como conseguiram
romper com as restrições locais, como venceram. Se saíram
para competir lá fora e se deram bem é porque se utilizaram
de elemento da cultura local que podem - e devem - se potencializados.
-
a participação decisiva da Prefeitura
na atração de negócios e consumidores, seja através
da articulação institucional (que deve ter um lugar
privilegiado na administração) ou de incentivos diretos;
-
A articulação institucional acontece quando se dá
status, o respaldo do Prefeito, por exemplo, ao porta-voz do setor
público nas negociações com a iniciativa privada para
viabilizar uma pareceria do tipo ganha-ganha, isto é, em que ambas
as partes saem ganhando. Um exemplo recente foi a parceria do setor público
e do setor privado no carnaval do Recife. O carnaval é um grande
negócio - conseguiu-se superar a idéia de que o carnaval
era a Prefeitura que deveria promover tudo, e partiu-se para atrair os
investimento de diferentes setores nesta festividade. Já se pensa
o carnaval como um grande negócio, uma coisa bem feita. Pernambuco,
por exemplo, saiu-se muito bem no plano nacional neste ano de 96, entrando
no ar, na televisão, cerca de 56 vezes, mostrando o carnaval de
Boa Viagem, do Centro da Cidade, da Marquês de Olinda e de Olinda.
Tem 4 grandes focos de carnaval com interesse nacional a ser mostrado,
todos com características diferentes. Pernambuco ficou à
frente do Rio e Salvador.
-
A cidade tem de ter uma visibilidade externa, pública, como
inovadora, além da seriedade e competência da sua administração
- setor em que a atual administração se notabilizou, levando
o Prefeito Jarbas Vasconcelos ao reconhecimento nacional com o melhor administrador
das capitais por seis vezes consecutivas, na visão dos cidadãos
recifenses
-
a articulação de programas do tipo cidades
irmãs, redes de cidades, etc, que demonstrem claramente o interesse
estratégico na viabilização de negócios transfronteiras,
partindo tanto da iniciativa privada como do governo local.
-
Que coisa podemos fazer aqui? O que está dando certo? O que
nos diferencia, o que pode se complementar com outro? Como estabelecer
uma rede entre cidades que se complementem? Uma rede que seja de interesse
de todos os envolvidos. É preciso identificar e buscar complementariedades
e afinidades em outros lugares no mundo. Buscar identidades, interesses
e programas comuns Mudar a imagem da cidade e vendê-la ao mundo,
mostrando os seus sucessos para atrair mais investimentos.
Para cada um dos ítens acima, e outros que possam
ser agregados pela discussão do tema, a CDE deve propor à
Prefeitura e à sociedade que se promova um plano detalhado de implementação,
levando em conta que:
-
a cidade tem de estar preparada para oferecer os tipos de negócios
que podem ser bem sucedidos na cidade, mas tem de ter que fornecer o apoio
logístico básico necessário a esses tipos de negócios.
Recife ainda não está vendendo para fora essas condições.
-
tem-se que escolher aquilo que se pode falar e vender bem.
-
a estratégia desse Plano de Marketing é identificar os
aspectos fundamentais e começar a trabalhar de forma a que todos
os decisores desse processo começem a se preocupar com a
sua viabilização, abrindo espaço na agenda do dia-a-dia
para assuntos dessa dimensão estratégica mais geral.
-
o Plano de Marketing tem de prever um planejamento a longo prazo, o
que não é fácil nos curtos perídos administrativos,
onde a maior preocupação é com o curto prazo, com
as ações imediatas. A cidade tem de enfrentar os desafios
e se preparar para estar à frente das mudanças nível
mundial, montando e executando as estratégias necessárias.
-
o Plano de Marketing tem de ser apresentado numa linguagem de publicidade
para vender tudo que se tem de melhor da forma mais competente possível,
coisa que as nossas agências de publicidade, por sinal, sabem fazer
muito bem (mais um diferencial favorável ao Recife)l.
-
para se implantar as inovações, é necessário
criar uma cultura. Deve-se implantar projetos que levem a experiências
estruturadoras do fazer, do pensar, do tomar decisão, do
gerir, do acompanhar ações que extrapolem o dia-a-dia das
nossas instituições. Pode-se, inclusive, criar projetos cujo
objetivo final seja criar a cultura do fazer de forma inovadora.
Depois se aprende a fazer bem o que é estategicamente necessário
para vender bem o Recife no "mercado das cidades".
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